O Balantuna e a direção liderada por Sérgio Santos estão a colher os primeiros frutos de um plano traçado há cerca oito anos, que nasceu de uma crise diretiva, que levou a uma mudança de paradigma no clube de futsal do concelho de Gondomar. “Quando esta direção assumiu a gestão, o Balantuna era essencialmente um clube sénior, apenas com um escalão de formação, que funcionava sobretudo como suporte à equipa principal. Entendi que era necessário mudar radicalmente a visão do clube e criar um verdadeiro projeto de formação, com o objetivo de, até 2030, alimentar regularmente a equipa sénior com jogadores formados internamente, garantindo qualidade e continuidade”, explicou o presidente.
Hoje, os resultados estão à vista, fruto de um trabalho de muitas pessoas que fizeram o clube chegar num alto patamar: “Passámos de um único escalão de formação para uma estrutura com dez equipas a competir. Foi uma mudança significativa na identidade e na visão de futuro do clube”.
É claro que a evolução tem sido gradual, mas aos poucos a Balantuna tem crescido e não faltam projetos até para o futsal feminino. “O futsal feminino será o nosso próximo passo. Já pensámos nessa possibilidade há algum tempo. Estamos a construir um projeto de clube sustentável e precisamos, primeiro, de consolidar a base de formação masculina, um processo que está felizmente na fase final”, justificou Sérgio Santos. À margem dessa questão há outras que acabam envolvidas e que têm levado o clube a ajustar os passos. “Um dos fatores que nem sempre nos permitiria acelerar o crescimento do clube é, naturalmente, a relação com o município de Gondomar. Infelizmente, à semelhança de 80 a 90% dos clubes, não temos instalações próprias e dependemos da disponibilidade e da capacidade de resposta da autarquia para conseguirmos melhores condições de trabalho. Percebemos que nem sempre é fácil, porque existem muitas coletividades e poucas instalações desportivas disponíveis. Por vezes, queremos avançar mais depressa, mas não temos condições para o fazer. O futsal feminino é um exemplo disso: para concretizarmos esse projeto, precisamos de maior capacidade de resposta por parte do município”, argumentou.
“Temos, naturalmente, de respeitar os compromissos da autarquia para com os restantes clubes e coletividades. Não podemos simplesmente passar por cima dessas limitações. Por isso, embora tenhamos ambição de crescer, esse crescimento também depende das condições que nos forem proporcionadas”, apontou.
Feminino à parte, a formação do clube segue de vento em popa, com alguns dos escalões a competir nas principais divisões distritais e o objetivo, a médio prazo, passa também por chegar também a nível nacional: “Já temos os sub-19 e os sub-17 na Divisão de Elite e queremos trabalhar gradualmente para que os sub-15 também consigam chegar a esses patamares. O objetivo passa igualmente por levar a formação aos campeonatos nacionais, porque acreditamos que essa será a base para sustentar a equipa sénior nesses níveis competitivos. Sem uma formação forte, é muito difícil manter uma equipa sénior nos campeonatos nacionais sem esse investimento elevado”, explicou ainda.
Do que o presidente não abdica é de dois princípios fundamentais: “O primeiro é não utilizar a formação para financiar a equipa sénior. A formação deve receber o investimento de que precisa, enquanto os seniores têm de ser autónomos e encontrar as suas próprias fontes de receita. O segundo, é não dar passos maiores do que as pernas. Queremos chegar aos campeonatos nacionais de futsal sénior, sim, mas queremos chegar para ficar”.
A época passada terminou com a conquista da Taça AF Porto e o terceiro lugar na Liga TRUST, mas a ambição passa por fazer mais. “Embora não seja nossa política assumir publicamente objetivos concretos, acreditamos que os resultados devem ser uma consequência do trabalho, não daquilo que comunicamos. Não começámos bem o campeonato e perdemos os dois primeiros jogos, mas isso não altera a nossa ambição. Queremos que os atletas trabalhem semana a semana, jogo a jogo, e que os resultados apareçam como consequência desse trabalho”, apontou Sérgio Santos.
“Depois de duas presenças na fase de apuramento de campeão e de um terceiro lugar em que estivemos perto de garantir o acesso à Taça Nacional – perdemos essa possibilidade nos últimos dez minutos do campeonato –, é natural que exista alguma frustração. Mas também é um sinal de crescimento. Na época anterior, perdemos a meia-final da Taça e, na seguinte, conseguimos conquistá-la. O importante é transformar a frustração num objetivo de superação”, sublinhou.
Apesar de não ter entrado bem no campeonato, a Balantuna tem bem claro o caminho que quer trilhar: “O primeiro objetivo da época já foi alcançado, com a conquista da Supertaça. Agora, queremos defender o título da Taça da Associação de Futebol do Porto e ambicionamos fazer mais na Liga TRUST. Na Taça de Portugal, procuraremos chegar o mais longe possível, dependendo daquilo que o sorteio nos proporcionar”.
Aliás, o presidente do clube de futsal de Gondomar lembrou uma lição que aprendeu logo no início desta caminhada que vem fazendo à frente dos destinos da Balantuna: “Por vezes, as pessoas esquecem-se de quanto trabalho existe por trás dos resultados. O projeto atual da Balantuna nasceu precisamente do insucesso. No meu primeiro ano na direção, o clube desceu à Divisão de Honra, quando o objetivo era subir. Foi um passo atrás que nos obrigou a repensar o caminho. Se me perguntar qual foi o segredo do nosso sucesso, diria que foi precisamente o insucesso do primeiro ano. Foi a partir daí que começámos a construir as bases daquilo que somos hoje”, frisou.
