CD Aves 1930: Uma análise à melhor defesa dos nossos campeonatos


O Desportivo das Aves tem a defesa menos batida de todos os campeonatos distritais da Associação de Futebol do Porto, com apenas sete golos sofridos em 18 jornadas da Série 1 da I Divisão. Mas desengane-se quem pensar que se trata de uma equipa ultradefensiva, porque o Desportivo das Aves soma ainda 47 golos e detêm o segundo melhor ataque da Série 1 e o 11º melhor ataque das 152 equipas que disputam as diferentes divisões da AF Porto.

“Tudo começa na escolha dos jogadores. Desde o início, a equipa foi construída com uma base de atletas que transita de uma época para a outra e da equipa atual já temos, mais ou menos, definida a base para a temporada seguinte. Mas parte também de um bom conhecimento dos jogadores que surgem na nossa periferia, da avaliação que se faz do nível e do trabalho que depois se desenvolve na nossa formação, que alimenta a nossa equipa principal em cerca de 90 por cento”, explicou Bruno Alves, que treina o Desportivo das Aves desde a época passada.

Depois há todo um processo que se tem revelado muito positivo, que faz com que o rendimento da equipa não se ressinta, independentemente das opções feitas pelo treinador. “Com os centrais posso fechar os olhos e escolher qualquer um deles, porque sei que vão render ao mesmo nível. Com os laterais, só na esquerda, o Tiago tem sido mais utilizado, de resto, na direita o Mota tem mais jogos, porque o Miguel Gouveia esteve lesionado. Mas são todos eles jogadores muito bons”, comentou ainda.

Para lá das opções de Bruno Alves há todo um trabalho desenvolvido nos treinos. “Há a vantagem do conhecimento mútuo de todos os jogadores e daquilo que cada um tem de fazer. Quando falha um, os outros entram em compensação. Todos sabem os espaços onde temos de atacar o adversário e os espaços onde têm de conter o adversário. Depois há um trabalho de vídeo que nos ajuda a complementar tudo”, contou.

Perceber o jogo também se tem revelado fundamental para articular a melhor resposta e uma vez mais, o treinador explicou de que forma se têm trabalhado. “É uma equipa equilibrada, defensivamente, em relação à estrutura tática, porque os jogadores sabem que, conforme o tipo de defesa do adversário – quer se apresente numa linha de três ou de quatro na primeira fase de construção – que tipo de pressão se adequa mais às diferentes saídas. Além disso, defendemos muito longe da baliza, em cima da linha de meio-campo, o que faz com que os nossos jogadores mais adiantados defendam quase na outra ponta do campo”, acrescentou ainda, antes de dar um exemplo: “Contra os Lusitanos tínhamos preparado o jogo para uma saída a três e quando chegamos ao relvado percebi que tinham quatro defesas e só precisei de lhes dizer que tinham quatro defesas para eles perceberem de que forma tinham de atuar”.

A este trabalho junta-se ainda uma observação dos adversários que ajuda a descodificar a estrutura das equipas e as suas principais características, o que faz com que a equipa técnica do Desportivo das Aves procure estar sempre um passo à frente da concorrência.

Por fim, Bruno Alves destacou toda uma mentalidade bem vincada do grupo de trabalho que lidera: “Há uma mentalidade incutida de competitividade e de fome de vencer. Trabalha-se o detalhe e os jogadores ficam chateados quando as coisas não correm bem. Isso é um sinal de que há também uma responsabilidade competitiva, que faz com que toda a gente queira ganhar e que ajuda a suportar o colega do lado. Depois, há todo um bairrismo que assenta no clube e o caráter das nossas gentes, que reforça o espírito de grupo. Sabendo dessa mentalidade, há uma cobrança positiva e os jogadores assimilam que aqui joga-se para ganhar… ou ganhar!”