O Desportivo de Barca está a renascer das cinzas aos 82 anos. Esta é talvez a expressão que melhor ilustra o momento que o clube da Maia atravessa. Ao fim de uma década, o projeto de dotar o clube de instalações novas está, finalmente, em andamento. No passado dia 30 de setembro o clube assinalou o aniversário com as obras de construção de um relvado sintético com dimensões regulamentares, renovação da iluminação, que passará a ser LED, novos muros de suporte, vedação do terreno de jogo e construção de uma bancada nova, tudo suportado pela Câmara Municipal da Maia. “Estávamos a precisar de uma intervenção profunda. A obra inicial não incluía a bancada, razão pela qual falávamos inicialmente num investimento de cerca de 600 mil euros mas, entretanto, juntou-se ao projeto a construção de uma bancada nova e a demolição da que tínhamos, o que encareceu o projeto em mais 150 mil euros”, explicou Daniel Monteiro, presidente do emblema de Castêlo da Maia.
O processo foi lento e não foi só o arranque da obra que custou. Foi preciso regulamentar tudo para que a autarquia também pudesse fazer a sua parte. “Havia várias parcelas de terreno que tinham sido doadas ao clube, mas que nem sequer estavam registadas. Tivemos também de fazer esse percurso, que nos deu algumas dores de cabeça, para conseguir regularizar e registar os terrenos em nome do clube, para depois os podermos doar ao município, que era uma das condições. Em contrapartida, a câmara assumiu o compromisso de fazer esta intervenção”, partilhou ainda.
Daniel Monteiro espera que o projeto que agora ganha contornos permita ao clube crescer a todos os níveis. “Em termos desportivos vai dar-nos muito. Neste momento, temos poucos atletas, porque vivemos durante muito tempo com instalações bastante degradadas e com um campo de terra batida, que nos limitaram. Até aqui, nunca quisemos dar o passo de constituir uma equipa sénior, porque entendíamos que as nossas instalações não tinham condições. Chegámos a ter uma equipa de masters, que também está inativa atualmente. Temos, no entanto, três equipas de formação nos campeonatos da Associação de Futebol do Porto, que mantêm a atividade desportiva e social do clube”, resumiu.
O presidente conta ter as novas instalações prontas em janeiro. “Provavelmente ainda teremos a possibilidade de concluir a presente época em casa e lançar a próxima já com outras condições”, sublinhou.
Mas o que Daniel Monteiro não esconde é a sensação de dever cumprido com a edificação destas novas instalações, que segundo diz, teve também o contributo de várias gerações que muito fizeram pelo clube: “Muitas das pessoas que estão envolvidas neste projeto têm uma ligação familiar muito forte ao clube. Têm avós, tios e outros familiares, muitos deles já falecidos, que foram fundadores, jogadores ou dirigentes do clube. Foi precisamente essa ligação que fez com que várias pessoas se congregassem e se juntassem para meter mãos à obra e recuperar não só a instituição, mas também aquelas instalações. Há, no fundo, uma vontade de fazer isto também como uma homenagem e uma forma de respeito por aquilo que os nossos antepassados fizeram pelo clube. Não fazia sentido deixar todo esse legado degradar-se. Mas sem dúvida que é um projeto feito por paixão, por ligação à terra e pela vontade de devolver ao clube as condições que merece”.
