O Ermesinde 1936 está empenhado em dar continuidade ao bom arranque de temporada e prolongar a onda de sucesso que vem na sequência da conquista da última edição da Taça da Associação de Futebol do Porto. Ricardo Barros não se cansou de sublinhar a qualidade do Sousense e do seu treinador, mas refutou a ideia de que a final se decide com estatutos, bem pelo contrário. O treinador espera um dia marcante para o clube e para os adeptos.
Como que é que vão abordar esta Supertaça contra o Sousense?
Espera-nos um desafio bastante exigente. O Sousense é o campeão em título desta divisão e, além disso, reforçou-se para disputar o Campeonato de Portugal, pelo que será certamente um adversário muito difícil. Tratando-se de uma final, a exigência será ainda maior. Vamos encarar este jogo como um evento especial, que vai mobilizar a cidade de Ermesinde. Será um dia marcante para os jogadores e para os adeptos, porque, acima de tudo, esta é uma festa do futebol e queremos que seja uma grande tarde para todos.
Há algum impacto por ser um adversário de uma divisão superior?
Nada disso, vamos disputar uma Supertaça e valorizamos o adversário, porque sabemos da dificuldade que representa. Mas, como é óbvio, vamos lutar para vencer este troféu. Estamos nesta final por mérito próprio, por sermos vencedores da Taça da Associação de Futebol do Porto, mas temos de perceber quem é o nosso adversário. Sabemos que vai ser um adversário muito difícil, mas não vamos entregar nada de bandeja. Vamos lutar até ao último segundo pela conquista da taça. Aliás, foi assim também na Taça de Portugal, quando defrontámos um adversário de duas divisões superiores: lutámos até ao último segundo pela passagem à eliminatória seguinte. Agora será exatamente a mesma coisa. Estamos conscientes de que temos pela frente um adversário que merece todo o nosso respeito, mas isso não significa que não vamos lutar pela vitória.
Quem é o favorito?
Acho que o Sousense é favorito, apesar de estarem a atravessar um início de época menos positivo. Ainda não conseguiram vencer no campeonato, mas isso não vai ter influência na final. Agora, claro, que as finais são sempre especiais e, como se costuma dizer: não se jogam, ganham-se. No último fim de semana, eles disputaram a Copa Ibérica e tiveram uma excelente prestação. Pelo que vi na primeira parte até foram superiores ao adversário. É verdade que estão a atravessar uma fase menos positiva no campeonato, mas estamos a falar de uma competição muito exigente e muito difícil. Acredito que vão tentar dar a volta aos resultados. Depois, numa final, toda a gente está motivada e preparada para dar o máximo.
O que receia mais neste tipo de jogos?
Não temos receio deste tipo de jogos, até porque toda a gente quer jogar este tipo de partidas. Sabemos, no entanto, que do outro lado está, na minha opinião, um excelente treinador, que organiza muito bem as suas equipas, e que tem três ou quatro jogadores acima da média para este contexto. Por isso, não é uma questão de receio. Vamos estar muito atentos aos pormenores e ter muita organização durante o jogo. Sabemos perfeitamente que uma final pode ser decidida nos detalhes. Além de toda a gente estar muito motivada, também existe naturalmente algum receio de errar, o que fará com que os jogadores estejam mais concentrados e abordem cada lance com ainda mais cuidado. É sobretudo por aí que esperamos que o jogo se decida.
O bom percurso do Ermesinde na época passada e o bom arranque deste campeonato coloca mais pressão em cima dos ombros?
Tenho-me desligado muito dessa pressão, embora se sinta bastante pressão externa. No ano passado, despertámos Ermesinde. Este grupo de trabalho, formado com uma equipa técnica, staff e jogadores novos, conseguiu alcançar o quinto lugar no campeonato e vencer na final da Taça da Associação de Futebol do Porto, e sentimos que isso criou uma nova dinâmica à volta do clube. Nessa final percebemos isso claramente. Se tivéssemos mais bilhetes, teríamos vendido ainda mais, porque sentimos que despertámos a cidade de Ermesinde e os adeptos. Temos sentido isso diariamente, em todos os jogos, e especialmente na última eliminatória da Taça de Portugal, onde tivemos o estádio completamente cheio. Essa pressão existe e sentimo-la. Mas, pessoalmente, a minha pressão é a mesma da época passada: melhorar diariamente, tentar vencer jogo a jogo e ser competente em todos os momentos. O que mudou foi que conseguimos despertar Ermesinde e um clube que está mais envolvido e acredita muito neste grupo de trabalho.
Perdeu-se o efeito surpresa…
É óbvio que já não temos o fator surpresa. Já não posso ter o mesmo tipo de discurso do ano passado, porque, apesar de continuarmos a ter um grupo de jogadores relativamente jovem, já temos a experiência da época anterior. O primeiro objetivo passa, naturalmente, por garantir a manutenção, porque esta não é uma divisão qualquer e, na minha opinião, este ano está ainda mais competitiva, com equipas muito reforçadas e grandes plantéis. Por isso, temos de ter essa consciência e manter os pés bem assentes no chão. A partir daí, vamos jogo a jogo. Temos uma estratégia definida e sabemos aquilo que queremos, mas o primeiro foco tem de estar na manutenção. Depois, à medida que a época avançar e percebermos onde estamos, poderemos pensar noutras coisas e redefinir objetivos.
Sábado vão entrar com tudo então…
Não há dúvidas nenhumas: vamos disputar a final para ganhar. Temos consciência de que temos um plantel com qualidade, uma boa equipa e, se estivermos concentrados e formos competentes, temos possibilidades de triunfar. Numa final, tem de ser esse o objetivo. Os dois jogos que fizemos contra o Sousense na época passada foram equilibrados: eles ganharam um e empatámos o outro. Entretanto, o Sousense reforçou-se, mas nós também nos reforçámos, embora tenhamos perdido alguns jogadores de qualidade, mantivemos cerca de 80 por cento do plantel que nos permitiu fazer um bom campeonato, mas agora temos este desafio pela frente. Durante esta semana, temos de preparar muito bem o jogo e perceber como podemos levar a melhor sobre o Sousense.
