Sérgio Martins: “Qualquer equipa do topo da Decathlon Liga Pro consegue dividir jogos com equipas do Campeonato de Portugal”


Com o Sousense ainda à procura de se estrear a vencer esta temporada, Sérgio Martins aponta à final da Supertaça com a ambição de a ganhar para relançar a equipa. O treinador garante que todos vão entrar com respeito pelo Ermesinde 1936 e que a diferença de escalão não se vai refletir, embora reconheça que se espere sempre mais de uma equipa de um escalão superior. A questão é mostrar essa superioridade teórica dentro das quatro linhas.

Que expectativas tem para esta Supertaça com o Ermesinde 1936?
Encaramos este jogo como uma competição que queremos ganhar. A Supertaça de Futebol da Associação de Futebol do Porto merece-nos todo o respeito. É evidente que o campeonato é a nossa competição primordial, ainda para mais porque não arrancámos da forma que esperávamos. Por isso, o campeonato tem, para nós, um valor superior a qualquer outra competição. Mas, neste momento, todo o nosso foco está na Supertaça.

O adversário está bem identificado?
Sabemos que não vai ser um jogo fácil. Conhecemos bem a equipa de Ermesinde, que vem praticamente junta desde a época passada. Manteve a equipa técnica e quase todo o plantel, tendo feito apenas quatro ou cinco alterações. Arrancou bem o campeonato, tem apenas uma derrota e está na parte de cima da classificação. Em termos de motivação, também estará certamente bem. Acredito, por isso, que será um bom jogo, competitivo, mas um bom jogo de futebol. E nós queremos ganhá-lo.

Por não terem arrancado como desejavam, vencer este jogo pode dar aquele clique moral que precisam para lançar a equipa?
Sim, pode, perfeitamente. Nós já tínhamos essa ideia na Copa Ibérica e, nos detalhes, acabou por não acontecer, não só de uma forma que considerámos injusta, mas também porque foram esses pequenos detalhes que fizeram a diferença. Temos agora outra oportunidade e pode, efetivamente, pode ser o clique de que precisamos para o resto da época.

Vai construir a equipa de acordo com o adversário, ou fiel à identidade do Sousense?
Consideramos sempre que o mais importante é olharmos para aquilo que fazemos e para a nossa identidade. Esse é o foco principal: sermos fiéis à nossa forma de jogar. Depois, naturalmente, quem não olha para o adversário parte sempre em desvantagem. Por isso, temos de olhar para a nossa forma de jogar e, a partir daí, perceber onde devemos investir um pouco mais para explorar um eventual ponto menos positivo do Ermesinde. Ao mesmo tempo, temos de ser mais preventivos para garantir que os pontos fortes do adversário – e o Ermesinde tem vários – não se evidenciem contra nós.

Numa final entre uma equipa do Campeonato de Portugal e a outra da Decathlon Liga Pro, do distrital, a diferença de escalão tem alguma influência numa supertaça ou nem por isso?
É natural que se espere um bocadinho mais da nossa equipa, por estarmos numa divisão acima. Mas, sendo totalmente transparente, acredito que qualquer equipa que esteja no topo da Decathlong Liga Pro consegue dividir jogos com equipas do Campeonato de Portugal. Depois, obviamente, há diferenças e há coisas totalmente distintas, e nós próprios sentimos isso. Ainda assim, acredito que se espere um bocadinho mais de nós, mas o jogo vai ser muito dividido.

Não há favoritos, então?
Assumimos esse favoritismo por estarmos numa divisão superior, mas temos perfeita noção de que, quando a bola começar a rolar, será 50/50. Não temos qualquer problema com isso.

Já sabe o que vai dizer aos seus jogadores para os motivar?
Os meus jogadores estão motivados. Sabem perfeitamente que têm aqui uma grande oportunidade de voltar a fazer história para o clube. Mas não receio, de todo, que entrem com uma ideia de superioridade por estarem num escalão acima.

Quer dizer que não acredita que acabem surpreendidos?
Temos um grupo com os pés bem assentes na terra e que está à procura da vitória desde o início da época. Neste momento, nem sequer temos moral para abordar qualquer jogo com favoritismo. Temos, isso sim, de entrar com humildade, com as características que nos distinguem e fiéis àquilo que é o nosso jogo. Somos uma equipa de trabalho e é isso que queremos continuar a ser. Se no final conseguirmos a vitória, ótimo, excelente, é isso que procuramos. Mas nunca, em circunstância alguma, vamos subestimar o adversário. Se ganharmos, será porque fomos melhores, nunca porque subestimámos alguém.